Valéria Guizo Duarte
O mar pode estar sereno ou
revolto. A água que o compõe é sempre a mesma independente do seu estado. O
movimento não muda sua essência, nem tão pouco a sua forma. O horizonte
continua no mesmo lugar à espera de um aventureiro que deseja conhecer a
nascente. As pedras escondidinhas no fundo ou aquelas enormes e aparentes, que
emergem em forma de ilhas, compõem a paisagem. O céu azul ou cinzento e os
tímidos ou exibidos raios de sol apresentam-se sempre no alto da imagem. Ao
cair da tarde, gentilmente, a lua habita o cenário, isso se as nuvens permitirem
sua aparição.
Se o mar está sereno o
reflexo da luz do sol tonaliza a água com uma cor dourada, que gradativamente se
transforma em prateada, ao chegar a luz lunar. A tranquilidade convida para
reflexão. O fluxo dos pensamentos acompanha as pequenas ondas que vêm e vão, em
um ritmo lento e natural, como se estivessem em uma dança cósmica. Tudo em
harmonia. O céu e o oceano parecem fundir-se ao olharmos em direção ao
horizonte.
Nem sempre é assim. Faz
parte da natureza que o mar se revolte. Parece até brigar conosco. As ondas
batem forte nas pedras e na areia da praia. Coitado daquele que esteja em seu
caminho! Poderá ser carregado com toda força para um lugar secreto e ninguém
mais o encontra. As desavenças que acontecem durante a vida são como esse mar
revolto e a mágoa que resta fica tão bem escondida que ninguém desconfia onde
está, nem o próprio dono.
Mesmo assim, o mar continua
sendo testemunha de desabafos que só ele conhece, de juras de amor,
desentendimentos, atitudes afoitas, alegrias, tristezas, nascimento de canções,
luaus que varam a madrugada. Ao amanhecer, alguns loucos por um banho mergulham
fundo em suas águas para, talvez, encontrar a própria essência. Quando erguem a
cabeça e olham os primeiros raios de sol percebem o novo dia que já nasceu, uma
nova oportunidade.
Na imensidão do mar podem
ser encontradas inúmeras histórias, desde lendas até fatos reais. Todos se
concentram em um lugar escondido próximo ao horizonte, onde de lá poderão
refletir seus tons em verde e azul, compondo a decoração. A biodiversidade
marinha se assemelha aos aventureiros, tímidos, amantes, amigos e loucos, que
tendo o mar como testemunha, usam e abusam do seu acolhimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário