segunda-feira, 26 de março de 2012

Criatividade e realidade

por Valéria Guizo Duarte


Em meio ao cenário deslumbrante das praias nordestinas, a situação econômica precária chama atenção. Um fotógrafo, ao registrar as belezas naturais, encontra  três pescadores humildes e os desafia a um exercício de criatividade.

Com vasta extensão de praias e biodiversidade marinha, muitos moradores locais tiram o sustento da sua família com a pesca. Em geral, os trabalhadores saem para o mar, muitas vezes em jangadas ou pequenos barcos, apenas vestindo shorts e com o material de trabalho. É preciso disposição e coragem para enfrentar as oscilações do mar. Uma saída para o mar pode não ter volta.

O fotógrafo, que está com o olhar artístico na paisagem, intui a possibilidade de tornar simples pescadores em modelos vivos e com criatividade transforma homens simples em obras de arte, ao propor que cada um pose para fotos usando apenas os pertences que possuem no momento do encontro de ambos.

O resultado desse encontro produziu a interação entre os pescadores e o fotógrafo, que ocorreu independente do contexto sócio-cultural de cada um. Os trabalhadores puderam exteriorizar naturalmente suas idéias, estimulados ou não pelo artista. Um deles, por exemplo, colocou o short que vestia na cabeça e pendurou um peixe no pescoço, parecendo uma gravata. Outro cobriu o corpo com algas.

Essa exposição é prova de que o potencial criativo é inerente no ser humano e que a desconstrução de um modelo simples pode construir algo inovador.

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