por Valéria Guizo Duarte
Em meio ao cenário
deslumbrante das praias nordestinas, a situação econômica precária chama
atenção. Um fotógrafo, ao registrar as belezas naturais, encontra três
pescadores humildes e os desafia a um exercício de criatividade.
Com vasta extensão de
praias e biodiversidade marinha, muitos moradores locais tiram o sustento da
sua família com a pesca. Em geral, os trabalhadores saem para o mar, muitas
vezes em jangadas ou pequenos barcos, apenas vestindo shorts e com o material
de trabalho. É preciso disposição e coragem para enfrentar as oscilações do
mar. Uma saída para o mar pode não ter volta.
O fotógrafo, que
está com o olhar artístico na paisagem, intui a possibilidade de tornar
simples pescadores em modelos vivos e com criatividade transforma homens
simples em obras de arte, ao propor que cada um pose para fotos usando apenas
os pertences que possuem no momento do encontro de ambos.
O resultado desse encontro
produziu a interação entre os pescadores e o fotógrafo, que ocorreu
independente do contexto sócio-cultural de cada um. Os trabalhadores puderam
exteriorizar naturalmente suas idéias, estimulados ou não pelo artista. Um
deles, por exemplo, colocou o short que vestia na cabeça e pendurou um peixe no
pescoço, parecendo uma gravata. Outro cobriu o corpo com algas.
Essa exposição é prova de
que o potencial criativo é inerente no ser humano e que a desconstrução de um
modelo simples pode construir algo inovador.
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